Sempre fui inseparável das palavras. Escrever era tão essencial quanto o ar que respiro para me manter viva. Até ao dia. Aquele dia em que os acontecimentos da minha própria vida se tornaram maiores que cada uma das letras que eu coloria para me retratar. Várias vezes me ouviram dizer que não sei escrever quando estou feliz; não por falta de motivos, mas por pura incapacidade de conjugar as duas coisas. Não sei escrever sobre alegria e sorrisos, só sei viver. Mas agora voltei a escrever. Viver tem-se revelado a arte mais difícil que eu alguma vez tentei aprender. Por muito que me esforce tenho a sensação de que a cada dia que passa diminui a minha capacidade de entendimento (de mim, dos outros, do mundo). Há em mim o cansaço das esperanças perdidas, das lágrimas derramadas, dos dias que passam sem sinais de luz ao fundo do túnel. Tenho-me sentido o fantasma que percorre dias vazios de uma vida que já foi minha, mas que agora me parece um enxerto que a minha alma rejeita. Escrevo na esperança de encontrar um pouco da minha cor nestas letras; mas as letras estão mortiças como eu.
11 Junho 2009
24 Dezembro 2008
28 Novembro 2008
Afazeres demais, tempo de menos.
Preciso correr para não perder o comboio dos acontecimentos da minha própria vida.
Um dia, não sei quando, eu volto.
Um dia, não sei quando, eu volto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

